João Azevêdo comenta apoio de Luiz Couto a Lucas Ribeiro e destaca que “PT é da nossa base há 7 anos”
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A liquidação de um banco raramente é um evento isolado. Ela costuma ser o último capítulo de uma história mais longa de fragilidades financeiras, apostas malsucedidas e tentativas frustradas de resgate. Foi exatamente esse o roteiro que levou o Will Bank ao fim, decretado pelo Banco Central do Brasil nesta quarta-feira, 21. Para milhões de clientes, em sua maioria de renda média e baixa, a pergunta agora é prática e urgente: o que acontece com o dinheiro aplicado, com o saldo em conta e com as dívidas em aberto?
Um banco digital, um controlador em apuros
Criado com discurso de inclusão financeira, o Will Bank se posicionou como porta de entrada ao sistema bancário formal para consumidores historicamente negligenciados pelas grandes instituições. Cartões de crédito, contas de pagamento, crédito pessoal e CDBs de rendimento competitivo formavam o cardápio. O modelo, porém, escondia uma dependência estrutural: o banco era controlado pelo Banco Master, uma instituição pequena, enquadrada no segmento S3 da regulação prudencial, mas com ambições maiores do que seu balanço permitia.
Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, optou por uma solução intermediária para sua controlada digital. O Master Múltiplo passou a operar sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet), numa tentativa de preservar o funcionamento do Will Bank e, quem sabe, viabilizar sua venda a um novo investidor. Houve, de fato, negociações com um grupo estrangeiro de origem árabe. O negócio não se concretizou. Sem capital novo e com o controlador já em liquidação, a margem de manobra se estreitou rapidamente.
O ponto de não retorno veio em 19 de janeiro de 2026, quando a Will Financeira deixou de honrar compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard Brasil. O bloqueio foi imediato. Sem acesso ao sistema de cartões, que era peça central de sua operação, a instituição perdeu capacidade operacional e credibilidade. Dois dias depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial, citando insolvência, deterioração econômico-financeira e o vínculo incontornável com o Banco Master já liquidado.
O que muda agora para cartões, investimentos e contas
Com a liquidação, as atividades do Will Bank são interrompidas. Contas correntes e de pagamento deixam de funcionar, cartões de crédito são suspensos e as chaves Pix perdem validade, já que a instituição é retirada do Sistema de Pagamentos Instantâneos. O dinheiro não desaparece, mas fica congelado enquanto o liquidante apura valores e organiza a fila de pagamentos.
Para correntistas e investidores, a principal rede de proteção é o Fundo Garantidor de Créditos. O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, incluindo o principal e os rendimentos acumulados até o dia da liquidação. CDBs, RDBs, LCIs, LCAs e outros instrumentos elegíveis entram nessa conta. Acima desse teto, o valor excedente vira crédito residual a ser eventualmente pago no processo de liquidação, normalmente com baixa taxa de recuperação.
Não há um prazo legal fixo para o início dos pagamentos, mas a experiência recente indica algo em torno de 30 dias. Os valores são atualizados pela Taxa Referencial (TR). O FGC também faz um alerta recorrente: não há intermediários nem taxas para receber o dinheiro garantido. Qualquer proposta de “aceleração” do pagamento é fraude.
Dívidas não são perdoadas
A liquidação não perdoa dívidas. Quem contratou crédito consignado continuará vendo o desconto em folha normalmente, com os valores direcionados à massa liquidante. Em empréstimos pessoais, financiamentos ou cartões de crédito, o liquidante – no caso, a EFB Regimes Especiais de Empresas – passa a emitir boletos ou instruções oficiais de pagamento. Ignorar a cobrança não é uma opção: a obrigação permanece válida.
Impacto no sistema financeiro
No auge, o Will Bank chegou a mais de 10 milhões de clientes; hoje, o site da instituição fala em cerca de 9 milhões. Em setembro do ano passado, o banco tinha R$ 6,5 bilhões em CDBs emitidos. Para o sistema financeiro, os números são modestos: o conglomerado Master representava apenas 0,57% dos ativos do sistema financeiro nacional, mas o custo não é trivial. Estimativas indicam que a conta total para o FGC, somando a liquidação do Banco Master e agora do Will Bank, pode se aproximar de R$ 50 bilhões.
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Blog do Bruno Lira
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