Na política, afastamentos fazem mais barulho do que rupturas consumadas. O distanciamento entre o médico ex-secretário de Saúde, Dr. Jhony Bezerra e o agrupamento liderado pelo governador João Azevêdo alimentou especulações sobre uma possível migração para a oposição, mas o cenário ainda está longe de ser definitivo.
Jhony saiu fortalecido das eleições de 2024 em Campina Grande, onde chegou ao segundo turno e consolidou capital político relevante. Não é detalhe. É justamente esse peso que explica o esforço de bastidores para evitar um rompimento formal.
Há fissuras, desgaste e silêncio estratégico. O carnaval surge como pausa para reflexão e conversas longe dos holofotes. Nos bastidores, o diálogo não foi totalmente interrompido, e isso muda tudo.
A solução não depende apenas de Jhony. Passa, sobretudo, pela disposição do governo em tratar o episódio como prioridade política. Com 2026 no horizonte e o vice-governador Lucas Ribeiro no centro do projeto governista, perder aliados com densidade eleitoral não é um bom diagnóstico.
No fim, o quadro é clínico. O diagnóstico aponta desgaste, mas o paciente responde. O remédio existe, o médico conhece o tratamento e a saúde da aliança ainda pode ser preservada, desde que a prescrição seja feita a tempo. Na política, como na medicina, negligência quase sempre cobra um preço alto.
Por Bruno Lira
FALA PARAÍBA-BORGES NETO
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