IA identifica nível de dor em recém-nascidos em UTIs neonatais; entenda

 


O uso da tecnologia está abrindo novas fronteiras na medicina humanizada, especificamente dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatais. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro Universitário FEI desenvolvem uma ferramenta de Inteligência Artificial capaz de identificar e mensurar o nível de dor em recém-nascidos.

A inovação foca em bebês prematuros ou com condições de saúde complexas que, devido à fragilidade, são submetidos a procedimentos invasivos como punções, intubações e cirurgias.

Diferente de parâmetros clínicos tradicionais como pressão arterial e temperatura, que possuem medição numérica direta, a dor em bebês depende majoritariamente da interpretação subjetiva da equipe médica. O desafio clínico é tratar a dor na medida exata, evitando tanto a falta de assistência quanto o excesso de medicação.

Mapeamento facial e precisão no diagnóstico

A ferramenta funciona por meio do mapeamento de pontos específicos da expressão facial dos recém-nascidos. Para treinar o algoritmo, os pesquisadores compararam um vasto banco de imagens de crianças em momentos de tranquilidade com registros feitos logo após procedimentos dolorosos. O resultado é um sistema capaz de indicar não apenas a existência do desconforto, mas a sua intensidade.

Especialistas apontam que identificar a dor em situações extremas é relativamente simples para a equipe de enfermagem. O grande ganho da IA reside nas “situações medianas”, onde os sinais são sutis e a tecnologia pode oferecer um suporte diagnóstico mais preciso do que o olho humano.

Prevenção de sequelas e futuro da pesquisa

Embora promissor, o programa ainda está em fase de estudos. O próximo passo envolve a ampliação do banco de dados para criar um modelo capaz de distinguir com perfeição a dor de outras reações naturais dos bebês, como o sono e a fome.

A precisão nesse diagnóstico é vital para o desenvolvimento de longo prazo. Segundo pediatras envolvidos no projeto, a dor não tratada precocemente em recém-nascidos pode gerar repercussões graves no futuro, incluindo problemas neurológicos, cognitivos e déficits de atenção. A aplicação da Inteligência Artificial surge, portanto, como uma aliada estratégica para garantir que o suporte clínico seja tão delicado quanto os pacientes que o recebem.

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