Na cidade de Bananeiras, na serra paraibana, fica uma casa de mais de 150 anos cercada por parreiras de uva que dão origem a vinhos nacionais.
A casa pertence ao casal Jackson Ferreira e Telma Ferreira há 50 anos e agora passa por um processo de ressignificação de uso. A família, em parceria com o empresário Kadu Milano, fundou a Casa Ferreira, atração que une gastronomia, degustação de vinhos e uma narrativa que resgata memórias familiares e culturais.
“Tenho 35 anos e sou sócio de alguém de 72, numa relação nada convencional. São gerações muito diferentes, mas acredito que legado e visão empreendedora se somam”, Kadu Milano, cofundador da Casa Ferreira Wine.O negócio será inaugurado em soft opening em junho de 2026 e, no primeiro ano de funcionamento, espera faturar R$ 800 mil com experiências premium e limitadas no terreno.
Para os próximos anos, a ideia é também locar o espaço para casamentos e depois transformar em hospedagem.
“Bananeiras tem tudo para se consolidar como a próxima Gramado. Não consigo cravar se isso acontece em dois, cinco ou dez anos, mas já vejo sinais muito claros de crescimento — inclusive com propriedades que já acompanho de perto”, afirma Milano.
História como base
A Casa Ferreira tem origem em uma família tradicional de Bananeiras (PB), proprietária de uma área rural há cerca de 50 anos, onde está localizada uma casa com aproximadamente 150 anos.
O imóvel preserva sua estrutura original e já abrigava referências ao cultivo de uvas, ainda que sem caráter comercial. A iniciativa foi motivada pelo convite da matriarca da família, de 72 anos, que manifestou o desejo de ver a produção de uvas associada a uma vinícola.
Milano é carioca e se mudou para a Paraíba em 2019. A experiência com o empreendedorismo completa 12 anos em uma empresa de produção de eventos de grande porte, como o Festival de Cinema de Gramado, arraial em Belo Horizonte e Carnaval, no Rio de Janeiro.
Foi morando no estado que ele conheceu a serra paraibana, caracterizada por ser um refúgio, com grandes casas de veraneio. Lá conheceu a dona Telma e juntos começaram a estruturar uma vinícola no local.
Para que o negócio ganhasse vida, o parreiral foi organizado em formato mais estruturado de produção, e a operação passou a ser planejada com foco em visitas guiadas e atendimento controlado, dentro de um modelo comercial de experiência limitada.
Toda a equipe envolvida é formada por estudantes e profissionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em um modelo que conecta a operação ao ambiente acadêmico local.
As intervenções físicas na casa foram feitas de forma pontual, preservando ao máximo a construção histórica. Houve adequações para atender normas de segurança e vigilância sanitária, como ajustes em áreas internas, porém sem descaracterizar o imóvel.
Do ponto de vista comercial, a aposta foi na história da família. “O principal diferencial não é a arquitetura nem o vinho em si, mas a história da casa e do casal. É uma experiência que conecta o visitante a essa narrativa, mais do que a um produto ou a uma vinícola tradicional”, diz.
A experiência da Casa Ferreira é estruturada em três atos. O primeiro momento é dedicado à história da família e da propriedade, sem abordagem direta sobre o produto. Em seguida, o visitante é conduzido ao contato com o parreiral e o processo produtivo. O encerramento ocorre em um ambiente gastronômico, com elementos sensoriais pensados para reforçar a imersão, como aromas e referências ao cotidiano da casa, incluindo o uso de lavanda cultivada na propriedade.
O tíquete inicial será de R$ 398 e inclui visita guiada com sommelier, degustação de espumante, vinho branco e tinto, além de menu completo com entrada, prato principal e sobremesa. O foco está no bom atendimento, com limite de cerca de 30 pessoas por dia.
“Não estamos apenas capturando uma demanda existente, estamos ajudando a formar um novo comportamento. Existe um público qualificado na região que busca lazer de alto padrão, e queremos ser referência nesse espaço”, afirma Milano.
Estrutura e operação
A inauguração da Casa Ferreira está prevista para 5 de junho, em Bananeiras, no início do mês de São João, período considerado estratégico para o turismo na região.
A abertura será feita em formato de soft opening, com acesso restrito a convidados. A operação inicial será limitada a fins de semana, com cerca de 12 dias de funcionamento no mês, e grupos reduzidos, em torno de 30 pessoas por dia, dentro de uma proposta de experiência controlada e sem operação em escala aberta ao público geral neste primeiro momento.
“A operação é limitada não apenas pela escassez em si, mas pela garantia de um atendimento de qualidade. A prioridade é que cada visitante tenha uma experiência bem conduzida, sem pressa e sem superlotação”, diz Milano.
A partir de julho, as visitas serão apenas ao público, com funcionamento de um turno durante os dias de final de semana. “Em agosto, esperamos abrir dois turnos por final de semana, conforme entendermos que a operação já está estabilizada, sempre mantendo o controle de público e a qualidade da experiência.”
Em um ano de funcionamento, a expectativa é chegar a um faturamento de R$ 800 mil.
“Eu espero que as pessoas se surpreendam positivamente e percebam que o estado tem mais a oferecer em termos de turismo e experiência do que normalmente se imagina”, diz.
Planejamento a longo prazo
Com a validação do negócio, o plano é expandir os formatos. Em 2027, a meta é começar a abrir a casa para locação de eventos privados, como casamentos, porém com limitação.
“A previsão é realizar algo em torno de 11 casamentos no próximo ano, de forma bem seletiva, sempre alinhada com os valores da família e do negócio”, afirma Milano.
Já em uma terceira fase, prevista para 2028, o projeto deve incluir a criação de hospedagens na área. A ideia é iniciar com dois quartos ainda antes da operação oficial, como forma de testar e adaptar o formato.
Exame
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