A oferta crescente de testes genéticos comercializados diretamente pela internet tem acendido um alerta entre autoridades de saúde e a comunidade científica. Com a promessa de mapear o DNA para indicar desde a dieta ideal até o risco de desenvolver doenças graves, como Alzheimer e câncer, esses exames tornaram-se acessíveis: o consumidor compra online, envia uma amostra de saliva pelo correio e recebe o laudo digitalmente. No entanto, o que parece ser uma solução prática pode esconder armadilhas de imprecisão.
A jornalista Élide Batista recorreu a um desses testes na tentativa de encontrar um medicamento mais eficaz para o tratamento da depressão. O resultado, contudo, foi frustrante sob o ponto de vista médico. Após consultar psiquiatras, a paciente foi informada de que o exame não trazia informações conclusivas para o seu caso. “O teste de DNA, para o que eu procurava, não resolveu”, afirma Élide.
Limites da ciência e riscos dos testes “recreativos”
A análise de DNA é uma ferramenta poderosa, mas seu uso requer critérios rigorosos. Segundo Mayana Zatz, pesquisadora e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, o exame genético é fundamental em situações específicas, como suspeitas de doenças hereditárias na família, investigação de malformações em bebês ou em casos de abortos de repetição. Nessas circunstâncias, a identificação de mutações pode salvar vidas e orientar tratamentos efetivos.
Por outro lado, a especialista faz ressalvas críticas aos chamados testes recreativos ou de bem-estar. Para Mayana Zatz, promessas de descobrir a dieta perfeita ou produtos de beleza baseados no código genético carecem de fundamentação científica. “São muito imprecisos. Essas condições dependem de inúmeras variantes genéticas e, principalmente, de fatores ambientais. Isso não tem fundamentação”, alerta a coordenadora da USP.
Descobertas inesperadas e o impacto emocional
Embora falho no objetivo clínico inicial, o teste genético de Élide Batista trouxe um desfecho inesperado no campo da ancestralidade. Ao cruzar dados com outros usuários da plataforma, o exame indicou o parentesco com um jovem que também havia adquirido o serviço. A descoberta revelou que o rapaz era seu sobrinho biológico.
Filha adotiva, Élide conseguiu, por meio dessa conexão, localizar sua mãe biológica. Se por um lado a eficácia para prever doenças foi questionada, no campo pessoal a experiência foi transformadora. “Hoje eu sei quem eu sou, de onde eu vim e principalmente a minha história”, relata a jornalista. O caso reforça que, embora úteis para genealogia, os testes online não substituem o aconselhamento genético médico para decisões de saúde.
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