A Arte nas mãos empreendedoras: a força da capacitação para conectar as artesãs à realidade do mercado e definir novas estratégias de venda
No mundo dos negócios, não basta ter mãos talentosas para ganhar protagonismo. É preciso ter oportunidades para mostrar a arte ao público e despertar a atenção dos clientes. As estratégias de venda passam por capacitação, conexão com os recursos tecnológicos e espaços para expor o que as mãos produzem.
Nesta última reportagem da série “A Arte nas mãos empreendedoras”, os leitores vão conhecer as estratégias de venda das artesãs para cativar e atrair clientes, bem como a força motivadora das capacitações para conectar macramistas e louceiras à realidade do mercado.

O macramê está na moda, e a presença de peças coloridas em desfiles e lojas de grife tem destacado essa arte. Sucesso total. Renda garantida. Na Paraíba, as macramistas têm encontrado nos desfiles, nas feiras solidárias e nos salões de artesanato o caminho para traçar rotas no mundo dos negócios — espaços que funcionam como vitrines e dão visibilidade a um trabalho de imensa riqueza cultural.
A estilista e designer Carol Teixeira trabalha com macramê há 10 anos. É professora na área, em Santa Rita, vive dessa arte e conhece seu valor. Ao PB Agora, ela destacou a riqueza do trabalho das macramistas e enfatizou que as peças encantam o mundo da moda, ganhando cada vez mais espaço nas grandes marcas e grifes.
Especialista em macramê, Carol enxerga essa técnica milenar, feita com nós manuais, como uma expressão artística com diversos significados. Além da função estética, ela carrega nos fios a capacidade de unir e conectar. Para Carol, é impossível separar arte e macramê — tudo está interligado. Essa técnica antiga, que renasceu com força nas mãos de artesãs que aprenderam ainda meninas, muitas vezes observando mães e avós, transforma o entrelaçar dos fios em mais do que arte: sustento, memória e permanência.
“O macramê tem uma infinidade de possibilidades. Uma delas é sua presença no mundo da moda. As grandes marcas percebem que a manualidade está em alta”, explicou.
Cada vez mais, desfiles e exposições passaram a compor a rotina do macramê paraibano. Além disso, hotéis e resorts têm buscado artesãs que dominem a técnica para produzir peças decorativas. Essa visibilidade, segundo Carol, também atrai turistas, que enxergam nessas peças não apenas beleza, mas também identidade cultural.
Como estilista, Carol explica que as tendências chegam ao mercado por dois movimentos: trickle-down e bubble-up, conceitos que explicam a disseminação da moda — tanto das grandes marcas para o público quanto do popular para o topo. O macramê, hoje, transita entre esses dois fluxos.

estilista e designer Carol Teixeira
“Os desfiles, a formalização da associação dos macramistas e o nosso catálogo, em formato digital e impresso, são fundamentais para mantermos essa tradição. Esses lançamentos despertam o interesse de novas pessoas e evitam que a técnica se perca com as novas gerações”, observou.
No ano passado, Carol assinou o desfile “Fortes como a Flor”, realizado dentro da programação do Salão do Artesanato. A coleção cápsula foi criada em conjunto com as artesãs homenageadas.
A mestre artesã Julieta Estevão participou do desfile e recorda a emoção de ver seu trabalho ganhando destaque em um projeto de cocriação.
“Foi uma alegria ver os looks diferenciados na passarela, em uma proposta construída junto à estilista”, disse.
Para Julieta, a participação em feiras, salões de artesanato, desfiles e capacitações valoriza o trabalho das artesãs e impulsiona as vendas. A procura aumenta, e novos clientes se interessam.

Os desfiles são apenas uma das formas de dar visibilidade. Na era digital, o Instagram tornou-se indispensável. As redes sociais se transformaram em fortes aliadas na divulgação dos trabalhos.
Mazé Jerônimo é um exemplo. Conectada com os tempos atuais, utiliza as redes sociais para divulgar suas peças e atrair clientes.
Ela destaca que vender macramê de forma eficaz exige transformar o hobby em um negócio estruturado, com valorização do produto artesanal, presença digital consistente e atendimento de qualidade.
Para Mazé, vender vai além da produção: envolve marketing, precificação correta, inovação e fotografia de qualidade, capazes de transmitir o valor agregado das peças, que carregam histórias, sonhos e transformações.
“A gente usa o Instagram para divulgar nossos trabalhos. Não tem como ficar sem a internet. É uma ferramenta essencial e eficaz”, afirma.
Sara Medeiros também utiliza a internet como principal meio de divulgação — com resultados positivos. Ela destaca ainda que suas atividades cresceram após participar de capacitações. Uma de suas preocupações é a sustentabilidade: na confecção de painéis, utiliza madeira de poda, que seria descartada.
Antes de virar arte, a madeira passa por tratamento, especialmente para retirada de insetos.
“As capacitações dão autenticidade ao trabalho e valorizam o regionalismo, além de ampliar nossa visão sobre sustentabilidade”, destacou.

“O Sebrae e o PAP têm sido fundamentais para expandir o macramê na Paraíba. Depois das capacitações e do Salão, conheci novos clientes e fechei vários negócios. Muitas portas se abriram”, reconheceu.
Tainá Amorim trabalha com macramê há três anos. Começou como hobby, produzindo presentes para amigos e familiares, mas logo transformou a atividade em fonte de renda. Hoje, produz peças decorativas como luminárias, painéis e lembranças.
A artesã de Campina Grande encontrou na internet uma forma de divulgar seu trabalho e, nas capacitações do Sebrae, um caminho para aperfeiçoar a técnica.
“No mundo dos negócios, a capacitação é imprescindível, principalmente diante da concorrência e das exigências do mercado”, disse.
Mazé e outras artesãs colhem hoje os frutos das capacitações e da participação em eventos. Após se qualificar, Mazé passou a ministrar aulas em várias cidades do Cariri paraibano, ampliando oportunidades e revelando novos talentos.
Ela relembra, com orgulho, que já participou de desfiles do Fashion Week em Fortaleza e São Paulo, além de ter exposto seu trabalho em Paris.
O catálogo “Macramê da Paraíba” está disponível em versões digital e impressa.
A artesã Maria das Neves, louceira de Itabaiana, compartilha desse sentimento. Presença constante no Salão de Artesanato, ela também participa de feiras e capacitações e reconhece a importância desses espaços para dar visibilidade ao seu trabalho.
“Tenho muito a agradecer ao Programa do Artesanato e ao Sebrae, que nos dão a oportunidade de expor nosso trabalho. É uma vitrine. Graças a esse incentivo, não damos conta de tantas encomendas”, afirmou.
Jucieux Palmeira destacou que o Sebrae e o Programa do Artesanato da Paraíba têm um histórico de valorização dos artesãos, contribuindo para impulsionar vendas e fortalecer pequenos negócios.
Segundo ele, as capacitações abordam temas essenciais como gestão financeira, design, inovação e uso estratégico das redes sociais.
“Esses treinamentos ajudam a estruturar e sustentar os negócios. Hoje, as redes sociais são fundamentais, especialmente para encomendas personalizadas”, explicou.
Como resultado dessas ações, as peças produzidas pelos artesãos paraibanos ganharam qualidade e passaram a atrair clientes de todo o Brasil e até do exterior.

Com talento, empreendedorismo e inovação, macramistas e louceiras da Paraíba mantêm viva uma tradição que atravessa gerações e contribui para a economia do estado. A arte que produzem consolida identidade cultural, gera renda e abre novas perspectivas de mercado.
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Texto: Severino Lopes
Edição: Márcia Dias
FALA PARAÍBA-BORGES NETO
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