Indígenas da Tribo Tabajara sofrem ataques e várias ocas foram incendiadas no Conde

 

O Cacique, Josoaldo da Silva Bernardo, da Aldeia Severo Bernardo, denunciou, na tarde desta quinta-feira (3)0, que várias ocas do povo Tabajara foram incendiadas, justamente no último dia do mês de abril, dedicado às lutas e conquistas dos povos originários. Os ataques feitos aos Tabajaras, no município do Conde, Litoral Sul do estado, ocorreram, justamente, na ausência deles que estavam participando do “8º encontro Abril Indígena”, evento, anualmente, organizado pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

De acordo com informações de populares da Aldeia Tabajara, ainda não é possível dizer se o crime foi feito por pessoas de dentro ou de fora da aldeia, mas que pode ter sido por alguém da própria etnia, sendo de outra aldeia. Após a constatação da destruição das ocas, um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado na Polícia Civil da Paraíba, o caso também foi levado ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF), que a partir de agora também passa acompanhar as investigações.

Carlos Arapuã, cacique da Aldeia Mãe de Gramame, disse que espera que seja feita uma força tarefa com as polícias Federal, Civil e Militar, para investigarem esses crimes e que o executor criminoso, (indígena ou não) seja exemplarmente punido dentro da lei. Carlos Arapuã leva a crer também nos indícios de que o criminoso pertença a própria etnia Tabajara, “mas, isso quem vai dizer são as autoridades competentes após a apuração do crime”, relatou Arapuã.

Enquanto isso, a Professora Drª. Cristiane Nepomuceno, Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígena (NEABI) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), disse que repudia este tipo de prática criminosa, covarde, extremamente grave, inadmissível e inaceitável. A professora mencionou que calar diante de um crime deste porte, é ser omisso e que não se pode permitir que uma das mais valentes etnias deste país, que luta bravamente pelo direito à regulamentação do seu território e à sobrevivência cultural étnica, possa continuar sendo agredida e afrontada por tal tipo de prática criminosa. “Espero que este crime (e outros correlatos) cometido em território Tabajara seja investigado com rigor e que seja(m) seriamente punido(as) quem quer esteja por trás de tal ato nefasto. Cada uma e cada um de nós, pesquisadoras/es, educadoras/es, ativista e defensoras/es da luta por reconhecimento de direitos não pode calar diante de tal absurdo. Calar é comungar, é aceitar. Ao Povo Tabajara toda minha solidariedade, respeito a esta etnia sem medo. Que o(s) criminoso(s) seja(m) identificado(s) e, severamente, enquadrado(s)”, pontuou Cristiane Nepomuceno.

O professor indigenista e ativista social João Tavares Neto, disse que está acompanhando este ato de ataque aos povos Tabajara com muita preocupação. Ele mencionou que se for preciso vai mobilizar os movimentos sociais e sindicais de várias partes da Paraíba para fazer um grande ato para mostrar que, os indígenas atacados, não estão sozinhos.

“Seja uma querela interna o que poderá ser mais provável ou ligada a criminosos externos (não queiram afrontar os indígenas, que fazem um trabalho valoroso para a etnia), fiquem sabendo que nós estamos solidários e de olhos bem abertos para combater este tipo de ameaça e de crime cometido contra o histórico povo de Piragibe”, comentou Tavares Neto.

PB Agora


FALA PARAÍBA-BORGES NETO

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