Embora ainda não tenha declarado publicamente qualquer intenção de disputar novamente a presidência da Câmara dos Deputados, caso seja reeleito, o paraibano Hugo Motta (Republicanos) já aparece no centro de uma articulação política que pode definir o comando do Congresso Nacional a partir de 2027. Segundo informações divulgadas pelo UOL e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria acertando com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) o apoio à permanência de Motta no comando da Câmara caso também sejam reeleitos nas eleições deste ano.
O eventual acordo faz parte de uma negociação mais ampla entre o Palácio do Planalto e setores do Centrão e envolveria também a sucessão no Senado, a postura de partidos como PP e União Brasil na eleição presidencial e até a relação do PT com a campanha de Ciro Nogueira no Piauí.
A articulação prevê que Lula apoie uma eventual candidatura de Hugo Motta à reeleição para a presidência da Câmara. Em contrapartida, PP e União Brasil, que integram uma federação e têm entre suas principais lideranças o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteriam neutralidade na disputa presidencial, afastando-se de um eventual apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
O desenho político ainda incluiria um compromisso do PT de não criar obstáculos à campanha de Ciro Nogueira pela reeleição ao Senado no Piauí. O senador, que foi ministro da Casa Civil durante o governo Jair Bolsonaro, também deixaria de atuar na oposição ao governo Lula.
A neutralidade de partidos de centro e centro-direita pode representar uma mudança importante no cenário da disputa pelo Palácio do Planalto, especialmente diante das especulações sobre a formação de um arco de alianças em torno de Flávio Bolsonaro.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, confirmou que o governo trabalha para construir uma nova composição política no Congresso depois das eleições.
Segundo Guimarães, a articulação teria começado a ganhar forma a partir de uma reunião entre Lula e Davi Alcolumbre. Os dois se encontraram em um jantar na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O encontro teria sido mediado por Moraes e pelo ministro Cristiano Zanin.
A conversa ocorreu em meio a uma relação marcada por atritos entre o governo e o Senado. Entre os episódios citados está a rejeição do advogado Jorge Messias para uma vaga no STF, resultado que Lula teria atribuído à articulação de Alcolumbre. O senador, por sua vez, vinha reclamando da pressão do PT em votações de interesse do governo no Senado.
Além de Hugo Motta na Câmara, Lula teria interesse na permanência de Alcolumbre na presidência do Senado a partir de 2027, caso seja reeleito e consiga estabelecer uma relação de colaboração com o Palácio do Planalto.
A negociação poderia incluir, inclusive, uma nova indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Outro ponto da conversa envolve a estratégia do Congresso para projetos considerados sensíveis pelo governo. Alcolumbre teria sinalizado ao Planalto que propostas como o fim da escala 6×1 e o uso de recursos de apostas e do fundo social do pré-sal para investimentos em segurança pública deveriam ser deixadas para depois das eleições.
A estratégia provocou críticas do ministro Guilherme Boulos, que questionou o adiamento da discussão sobre a escala de trabalho e alertou para a possibilidade de uma proposta que estabeleça compensações aos empregadores ou resulte em redução salarial.
As emendas parlamentares também permanecem como um dos principais focos de tensão entre Executivo e Legislativo. Durante a convenção do PT, Lula afirmou que haverá uma disputa em torno do tema e do papel do Congresso, diante dos cerca de R$ 50 bilhões previstos para emendas no Orçamento de 2026.
Hugo Motta, por sua vez, já sinalizou que qualquer alteração nos valores destinados às emendas precisará passar por um entendimento com o Congresso.
“Mas também acho muito difícil isso ser resolvido sem haver a concordância e anuência do Congresso”, afirmou o presidente da Câmara.
Uma eventual candidatura de Hugo Motta à recondução ocorreria depois de uma primeira gestão marcada pela necessidade de conciliar interesses distintos dentro da Câmara.
Quando foi eleito presidente da Casa, o paraibano conseguiu reunir uma ampla frente de apoio, incluindo parlamentares ligados ao governo Lula, bolsonaristas e deputados independentes. A vitória ocorreu com larga vantagem e foi viabilizada também depois que o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), decidiu não entrar na disputa e indicou Hugo para ocupar o espaço.
Desde então, Motta precisou administrar interesses do governo, partidos de centro, direita e integrantes da própria base parlamentar.
Apesar dos momentos de divergência, a relação entre Lula e Hugo Motta tem sido, de modo geral, marcada pelo diálogo institucional.
Agora, mesmo sem uma manifestação pública do paraibano sobre uma eventual candidatura em 2027, seu nome volta a aparecer nas negociações que podem definir o futuro comando do Congresso.
PB Agora
FALA PARAÍBA-BORGES NETO
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